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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Antes de dormir – S.J.Watson


Christine acorda numa cama que não é sua, nua. Ao lado de um homem que não conhece. Ela não sabe como chegou ali. Cuidadosamente, vai ao banheiro, e quando se olha no espelho, fica horrorizada: Não é aquela mulher de vinte e poucos anos que conhece, mas uma senhora, cerca de vinte anos mais velha. Diante da confusão, repara que pregada nas paredes, há uma série de fotos, sem dúvida dela. Fotos que ela não conhece, acompanhada do homem que estava na cama com ela. 

Assustada, recebe a informação daquele homem, que diz se chamar Bem, e ser seu marido: Sofreu um acidente aos 29 anos, e desde então, consegue reter as informações durante o dia, mas ao dormir, esquece de tudo. Todos os dias. E, às vezes, acorda tendo vinte e poucos, outros dias, acorda como uma criança. E se vê envelhecida ao acordar.

Ainda processando as informações que recebeu, sozinha em casa enquanto Bem foi trabalhar, recebe uma ligação de um homem que se diz chamar Dr. Nash. E ele a informa que ela está se tratando com ele, sem que o marido saiba. E que tem um diário, que ela esconde todo o dia, e diz ao Dr. Nash onde o guardou, para que ele, depois conte a ela onde está.

Ao encontrar o diário, conforme as instruções do médico, vê sua letra, seu nome. E abaixo dele, escrito de forma alarmante, também com sua caligrafia, o seguinte aviso: NÃO CONFIE EM BEN.

Nesse momento do livro, somos, juntamente com Christine, apresentado ao seu diário, suas impressões dia a dia. Suas confusões, suas dificuldade, e algumas lembranças, que ainda vem. E começamos a ver que nem toda a verdade está sendo dita a ela. Seria para poupá-la de sofrimento? Para poupar Ben? Quem são as pessoas participam de seu cotidiano? E quando seus flashes de memória indicam que a história que lhe contaram é uma mentira? Em quem acreditar quando nem você mesma sabe quem é? E que esquece o pouco que lembrou quando vai dormir?

Achei o livro claustrofóbico. Em certos momentos, no diário, Christine pensa uma coisa, depois se desdiz, para logo em seguida, reformar novamente o que pensa. E cada vez mais, juntando os retalhos de sua memória, passa a perceber que sua vida pode não ser a que contam. Que o acidente não pode ter sido como lhe foi dito. Até que o diário acaba e somos novamente transportados para o presente. Como Christine agirá com o que acabou de descobrir?

Angustiante, e muito bom. Li num dia só, porque estava agoniada com o fim. E o fim... 

O autor, S.J. Watson é médico, e esse é seu romance de estréia. E mais uma vez, Ridley Scott comprou os direitos do livro, e dizem que Nicole Kidman está cotada a viver a personagem principal. Corre para ler!

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sábado, 21 de abril de 2012

Criança 44 – Tom Robb Smith


Na União Soviética do ano de 1953, o governo insiste em dizer que não há crimes no país. E, para quem discorda, resta a opressão. Mas o que ocorre quando uma família diz que seu filho, encontrado morto nos trilhos de uma ferrovia foi assassinado? E quando um agente da MGB desacata as ordens de ignorar o caso, correndo o risco de ser declarado inimigo do Estado e passa a buscar a verdade?

Gente, só o tema já faz com que eu diga que você tem que ler o livro. A ambientação da União Soviética é interessante (é impressão minha ou há poucos livros bacanas disponíveis que exploram essa temática?), pincelando temas sobre a relação com a polícia, com o governo opressor, sobre a época de Stalin, tortura, polícia secreta, e outros dados como o tratamento dado à homossexualidade na URSS, orfanatos, tratamentos psiquiátricos, educação, etc.

O livro é tenso, e ambientado em paisagem e cultura totalmente diferentes do que estamos habituados. Há neve por todo o lado, um inverno mais rigoroso do que podemos imaginar, as diferenças culturais e de época, pois estamos falando de uma nação comunista, vivendo em opressão.

Além dessa ambientação interessante da época (eu gosto de história, mas confesso que era mais aficionada pela história antiga, mitologia, etc., não por essa área mais ‘recente’ dos estudos), vamos ao que interessa do livro: A narrativa é ótima. Praticamente engoli o livro. Ele é de uma agonia tremenda. E quando vão descobrindo mais e mais crianças assassinadas (não é spoiler, oras, você achava que ‘criança 44’ significava o que?), nossa, vai te batendo uma tristeza... caramba, o governo simplesmente cala sobre isso e deixa tudo lá, como se fosse tudo ótimo, e as famílias que se virem, e engulam a dor, inventem uma justificativa para o ocorrido. E embora não haja mocinhos e bandidos clássicos (o super mau e o super bonzinho), afinal, lembrem-se, o personagem principal, Liev Demidov é agente do governo, não tem como não torcer para ele, para que ele resolva a bagunça toda, embora ele se encrenque muito por tentar.

O fim... achei bem bacana, e embora eu seja a mestre em ficar tentando adivinhar o final, devo dizer que fiquei passada com a explicação. Sério, me deu certo choque. Não passei nem perto de descobrir o assassino ou os motivos da barbárie.

Dizem por aí que o livro teve os direitos adquiridos pelo Ridley Scott, e que estão fazendo testes com atores. Bem, espero que sim, embora sempre me bata aquele medinho de adaptações de livros que gosto muito (e as fãs de Robert Pattinson dizem que ele estaria no filme... :/).

Um dado histórico interessante é que esse livro é parcialmente baseado na história verídica do serial killer Andrei Chikatilo, o Estripador de Rostov, que matou 52 pessoas na URSS. Mas sério, por favor, se forem pesquisar sobre o assunto, façam isso DEPOIS de ler o livro, porque estraga um pouco a resolução da história, hein? SÉRIO!