sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Lua Azul (Os Imortais) – Alyson Noël - Desafio Literário 2013




Atrasadinha, eu sei, mas é que mês passado foi meio atribulado. Enfim, ao que interessa:

Já tinha lido ‘Para Sempre’ faz um tempinho. Achei a capa do livro interessante, mas não tinha comprado. Num aniversário meu, ganhei. Então, tratei de ler (livros não lidos na prateleira me dão agonia, nem posso comprar muitos, já que a lista de espera começa a me dar aflição). Lembro-me de ter achado ok. E só. Tanto que já sabia das (mil) continuações mas nem me interessou. E ficou assim até o Desafio Literário ter colocado essa história de cor no nome do livro. Bem, a continuação de Para Sempre é Lua AZUL, então, achei que era uma oportunidade para dar mais uma chance à série, já que sempre tem alguém me dizendo que ama.

Resumindo: Ever é imortal agora, e está ao lado de Damen, seu amor de vidas passadas. Mas, com a chegada de um aluno novo, por quem ela nutre uma estranha antipatia desde o princípio, as coisas começam a ficar estranhas. Bem estranhas. Amigos se afastam, Damem agora parece ter repulsa à sua presença, e Ever se torna uma espécie de pária na escola. Mas ela sabe que algo está terrivelmente errado e, mesmo sem estar totalmente preparada para utilizar seus poderes de imortal, decide fazer o que for preciso para entender o que está acontecendo e fazer com que tudo volte ao normal. Damen pode estar em perigo, e ela sabe, de alguma forma, que o misterioso aluno novo deve ter algo com isso. Mas seria Ever capaz de tomar as decisões corretas?

Olha, sinceramente, para contar o livro todo, faltava só ser um pouquinho mais explícita, realmente dando um spoiler aqui e acolá. Não que eu acredite que atualmente exista alguém no mundo além de mim e outros eventuais desistentes, que já não saibam o que aconteceu (os livros já estão todos lançados, inclusive em português). Ever continua uma chata, mas esse nem é meu problema. Não espero encontrar maturidade numa adolescente de 16 anos  que perdeu os pais recentemente e teve sua vidinha típica substituída por outra totalmente inversa ao que ela tinha planejado. Muita gente reclama da personagem, mas meu problema é com a autora mesmo.

Acho tudo muito enrolação, não há tantos acontecimentos, então há aquela espichada básica. Parece que ela encarou o negócio como uma monografia, onde a gente tem o mínimo de páginas para respeitar, entende? Então ela vai, enrola, volta, coloca mais uma crise da Ever (prejudicando nossa empatia com a personagem principal). Aí, faltando algo como 5 capítulos para a coisa se resolver, ela começa a correr e acaba o livro......... num anti-clímax daqueles. Caramba, super broxante para mim, que não sou fã da série, imagina para quem gosta e leu o livro esperando mais... foi uma leitura super rápida, de uma tarde e só, mas sabe quando você termina de ler algo e pensa: que decepção!

Não tenho grandes ressalvas com finais anti-climax. O importante pra mim é que o suspense causado seja bom o suficiente para fazer com que a gente queira correr para a livraria e comprar o próximo (Harry Potter tinha ‘finais’ assim, a trilogia ‘Dragões de Éter me fez ir ao shopping assim que ele abriu para que eu pudesse sair do mistério do segundo livro e ir logo para o terceiro, etc). Mas esse é simplesmente decepcionante, na minha opinião. Mas, para não dar mais chance à série (aquela coisa de:ah, já comecei, agora vamos ver se eles terminam felizes, juntos e para sempre??) fiz uma coisa com a qual não sou mesmo habituada: Li resumões dos demais livros intermediários, para saber a evolução dos personagens, inclusão de novos, etc, depois baixei ‘Infinito’, que é o último livro da série, li o resumo dele também, aí coloquei na pesquisa a palavra “Adelina”, cheguei na parte que me interessava, que explicaria o ‘karma’ de Ever e Damen, depois pulei para a parte final e vi o que acontece. E chega. Sei o que há entre eles, como acabou e fim. Acabou meu compromisso com a série! :P

Sei que tem gente que ama “Os Imortais”, mas não aconteceu comigo. Lendo muitas resenhas por aí, depois, para saber se só eu sou chata, percebi que muita gente desistiu no meio do caminho, outros foram até o fim, mas frisando que era uma espécie de desafio, não exatamente porque gostavam. Mas tem gente também encantada, que torceu, chorou, enfim. Pode ser que não tenha sido meu momento, ou meu estilo, mas, se faz o seu, se joga!!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Precisamos falar sobre o Kevin - Lionel Shriver - Desafio Literário 2013





Um soco no estômago. 

Poderia parar por aqui e dizer para você que ainda não leu o livro: Sim, leia. Mas, vamos falar um pouco mais sobre o livro, afinal, não ia escrever um textinho pequeno e porco desses sobre um livro tão bom.

Atenção, se você vive na lua, e acha que até informações da orelha do livro ou de sua contracapa são spoilers, saia fora agora. Caso contrário, fique tranquilo pois não vou dizer mais do que o normal:

O livro é composto de uma série de cartas que Eva escreve para o marido. As vezes são devaneios, conjecturas, outras vezes ela narra fatos, conta ao marido, finalmente alguns segredos. Tudo isso para tentar desvendar os motivos, tentar entender o que levou seu filho Kevin a cometer um assassinato em massa em seu colégio. Nessas cartas, somos apresentados ao cotidiano dela, antes e depois de Kevin.

É aterrador perceber que, num olhar mais cuidadoso, o filho deles realmente não parecia normal. Mas veja, como dizer à alguém que um bebê não é normal... mentalmente? Como convencer as pessoas de que aquela sombra, aqueles comportamentos não são adequados, não são mera birra infantil?
Uma criança pode ser má? Pode nascer má? Teria sido responsabilidade dos pais? 

Eva admite que, por ela, não teria engravidado. Muitas vezes diz que assume, foi uma mãe ruim. A culpa seria dela? Franklin, o pai, por sua vez, só imaginava sua vida como sendo completa com o filho. Por isso Eva cede. E não admite que levantem suspeitas sobre seu filho, encarna o protótipo idealizado de qualquer pai: gosta, participa, presenteia, ama. Mas, mesmo amando tanto e, mesmo ganhando muito menos que sua mulher, ele quem diz que a mulher deve ficar em casa para cuidar do filho. Que devem se mudar para um lugar maior, etc. Ele errou? Mas, quem é perfeito na criação de um filho? E mesmo que fossem, Kevin teria agido diferente?

Eva percorre essas questões, num monólogo, e admito, em algumas partes ela se alonga demais, e há trechos do livro que isso fica até meio chato. Mas talvez seja proposital. Imagine-se longe da família, com um filho assassino, numa cidade onde todos parecem ser hostis ou pior, te odiar? Diante de tamanho isolamento, ao ter a oportunidade de falar, você não se excederia?

Embora muita gente não goste de Eva, devo dizer que eu, pelo menos, gostei. Talvez o fato de não querer ter filhos me faça entender aquela mulher melhor do que alguém que ache que maternidade é sagrado, e amor entre pais e filhos, natural. Obviamente, ela é dura, durante muitas vezes, mas não consigo condená-la, como alguns fizeram. Tendo um filho daqueles, não sei o que teria feito. Por outro lado, me irritei profundamente com a figura paterna. Para mim, um daqueles tipos que, por trás do viés doce, esconde um tipo tirano, mimado e manipulador. Lembrando sempre que enxergo os fatos narrados apenas pelos olhos de Eva, que podem estar viciados...

Se bem que o amor quase ignorante que ela nutre pelo marido era o que mais me irritava nela... como pode ceder tanto e não obter nada, e mesmo assim seguir, cega, amando aquela pessoa que está matando tudo o que você é? 

Já sobre Kevin... acho que só ele (ou nem ele) se entenderia.

Por fim, confesso que durante algumas partes do livro ficava perplexa ao descobrir mais uma faceta má de Kevin criança e, em outras, só queria saber quando Eva narraria os acontecimentos daquela quinta na escola. Se bem que, mesmo sabendo o que aconteceria, há fatos que nos pegam de surpresa. E fiquei chocada com o tamanho da crueldade que Kevin proporcionou.

Recomendo fortemente o livro, que agora está no topo das minhas preferências. Sempre quis ler, mas ou o livro estava em falta, ou achava caro, ou o pessoal do Skoob estava exigindo 2 créditos quando eu só tinha um... e quando o filme saiu, fiquei naquela birra de não assistir antes de ler, o que achei uma decisão sábia. Finalmente li o livro, e ontem, antes de escrever a resenha, vi o filme.

Para variar, acho o livro melhor que o filme, mais profundo, embora ele seja mais pesado no antiamericanismo.  Mas isso não significa que o filme seja ruim. Pelo contrário. É bom demais. Não poderia haver Eva melhor que Tilda Swinton, que além de parecer fisicamente com o que imaginei, atua num nível, numa densidade impressionante. É perfeita para o papel. Destaco também o ator que interpretou Kevin quando criança. Achei o olhar daquele menino chocante. Recomendadíssimo também. 

Só um aviso: Não leia/veja o livro/filme meio deprimido. Olha, como disse no começo, escrevi esse tanto, mas poderia ter parado na primeira frase: um soco no estômago. Esteja preparado.

Ps 1: Tilda Swinton foi solenemente ignorada ao Oscar de melhor atriz, embora não veja uma alma sequer falar mal do mesmo
Ps 2: O filme é dirigido por Lynne Ramsay, uma rara mulher diretora
Ps 3: Quem escreveu o livro também é mulher, embora muitos achem que é homem, por causa do nome (Lionel)


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinger - Desafio Literário

 Apanhador no Campo de Centeio é um daqueles livros que todo mundo conhece, é famoso, é bacaninha, é cult, enfim, é um monte de coisas e, não sei porque cargas d'água, nunca tinha lido.

Não que eu tivesse alguma birra oculta, um sexto sentido me prevenindo contra ele (como acontecia misteriosamente com o tal do Fernão Capelo Gaivota). Eu simplesmente me esquecia dele. E, quando lembrava, perguntava por ele na livraria e nunca tinha disponível. Ou olhava livros para comprar na internet e no frigir dos ovos acabava optando por outro ao invés dele. Como se eu soubesse que, por ser um clássico, eu não me esqueceria dele, e ele sempre estivesse me esperando. Um livro mais... digamos, 'da moda' talvez pudesse ser esquecido e nunca ser lido, já o Apanhador, sabia que sempre estaria me aguardando.

Pois bem, como o desafio indicava a necessidade de ler um livro que foi citado em filme, resolvi encarar mais esse. Muitos dos que foram sugeridos não se adequavam ao desafio: Harry Potter, Jane Eyre, Morro dos Ventos Uivantes, Madame Bovary, Orgulho e Preconceito... todos eles já li, e não iria trapacear no Desafio Literário, então, precisaria pegar algum título inédito para mim. Então, encarei Apanhador no Campo de Centeio, citado no antigo filme Teoria da Conspiração.


O livro fala de um fim de semana na vida de Holden Caulfield, que havia sido expulso mais uma vez de seu colégio, e vagava por Nova Iorque pensando na vida e adiando o confronto com os pais, aos dezesseis anos (ele tem dezessete quando conta os fatos, mas o tal fim de semana ocorreu um ano antes, no Natal).

Embora de família rica norte americana, o protagonista não se adequa na vida e, usando seu humor ácido e um extremo pessimismo, narra suas angústias, seus pensamentos.

O nosso protagonista é alguém do tipo ame ou odeie. É divertido, desbocado, embora inteligente tem atitudes imbecis, mas tudo assumido por ele. É malandro mas, ao mesmo tempo, um sonhador inocente. Nada mais normal para um rapaz de dezesseis anos, o que deve ser lembrado sempre durante a leitura, pois, aos mais velhos (como eu!!), ele pode parecer muitas vezes somente um garoto riquinho entediado e inconsequente. Mas, novamente, lembre-se: muitas vezes eu também era muito parecida com isso aos dezesseis. 

A obra é considerada por muitos como a primeira a dar voz e a retratar fielmente as angústias dos adolescentes, seus medos e a forma de encarar o mundo.

Para mim, mostra aquela fase de alguns adolescentes em se recusar a crescer, a revolta em ver como o mundo adulto funciona, com as convenções sociais e falsidade, a insistência em se manter criança.

Não amei o livro. Como disse, por muitas vezes achava o protagonista simplesmente infantil e chato. Mas veja, é exatamente assim que somos, então, me lembrava disso e continuava. Obviamente a leitura não demorou muito, pois o livro é bem pequenininho. O livro as vezes é irritante, mas quando adolescentes é assim que somos também. Então, talvez, se tivesse lido ele antes, mais nova, me identificaria mais, ao invés de ter essa leitura mais afastada. 

Recomendo, principalmente se você for mais novo, ou se for mãe de adolescentes, para se lembrar de como a gente se sente nessa época, a sensação de sentir que suas ideias são ignoradas, que ninguém te ouve simplesmente por ser novo. Mas, nada urgente. Como disse, essa é a vantagem dos clássicos: eles sempre estarão lá esperando por você.

PS: Para quem não sabe, esse livro é a suposta fonte de inspiração de vários psicopatas. Mark Chapman, assassino de John Lennon disse que a justificativa pelo assassinato cometido estava ali, bastava ler o livro. Para quem tem curiosidade de assistir um filme sobre o ocorrido, veja Capítulo 27.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Gabriel Garcia Marques - O Outono do Patriarca - Desafio Literário 2013



Demorei para postar por uma série de motivos: (finalmente) tirei uns dias de férias e fui viajar com mamãe, depois de muito tempo só programando, emendei pós com cursinho e trabalho, etc. Aí, a minha leitura descompromissada fica totalmente prejudicada e, por isso, acabo focando no Desafio Literário (e se é para ser desafio, não vou pegar água-com-açúcar, né?) Mas, vamos lá!

Um dos expoentes do chamado realismo mágico, onde a realidade  e o mundo onírico se misturam, de forma não delimitada, Gabriel Garcia Marques cria outra grande obra, o “Outono do Patriarca”.

Mais conhecido pelo seu “Cem anos de solidão” (aliás, ótimo e recomendadíssimo), é cult, bacana e bonito dizer que gosta-se de Garcia Marques. Mas não se engane, não são livros fáceis. 

No caso d’O Outono do Patriarca, outros itens aumentam a complexidade da leitura: não está delimitada a diferença entre a realidade e o imaginado; a construção do livro se dá em parágrafos extensos, com pouca pontuação (praticamente pontos finais e virgulas), o que torna o texto maciço e a não diferenciação entre as vozes de seus personagens (às vezes, quem conta a história é o ditador, outras, o narrador, e em outras, testemunhas dos fatos).

Portanto, não é o livro para se ler em um dia. Ao mesmo tempo, sua estrutura, de parágrafos longos, não permite que você pare de ler o livro em um ponto qualquer. É do tipo de livro egoísta e ciumento; exige que você tenha dedicação a ele.

Dito isso, vamos à história (ufa, né?): Num país sem nome, um ditador também sem seu nome revelado governa de forma tirana. Somos apresentados à um patriarca, que não se sabe como chegou ao poder, mas que está lá a tanto tempo que ninguém se atreve a contar. Refém da imagem que criou, ‘escraviza’ seu povo e seus empregados, usando o poder de forma irrestrita, canonizando a própria mãe, criando feriados quando bem entende, dando condecorações quando acredita ser conveniente, abusa das mulheres sem se constranger. É um semideus nesse país desconhecido.

Ao mesmo tempo, vítima do poder, modifica os fatos ocorridos para que se beneficie deles, vive preso às premonições que acredita ter e aos temores que ele próprio alimenta: dorme trancafiado num quarto cujas chaves somente ele possui e sofre com uma hérnia enorme no testículo, obrigando-o a dormir em uma única posição. Alimenta ilusões, reforçando-as com o uso de um sósia e é obrigado a ver que não é tão idolatrado, ao forjar sua morte. 

Uma passagem curiosa é a venda do mar que circunda o país, para o pagamento de uma dívida. Bizarro!

Percebe-se, portanto, que Garcia Marques inspira-se em regimes totalitários reais e, sabiamente, ao não nominar país e ditador, torna o tema familiar a todos nós, especialmente os que vivem na América Latina, a reconhecer o teatro e atrocidades que são cometidas num regime autoritário (o patriarca do título chega a mandar assar um de seus ministros, para se ter ideia). É uma crítica ao colonialismo, à ditadura, ao abuso do poder e sim, ao povo mau informado que acaba ajudando a perpetuar uma situação absurda.

Leitura boa, densa e crítica. Tire um tempinho em sua agenda para dedicar-se ao livro!