Mostrando postagens com marcador não ficção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador não ficção. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Balanço de 2013... metas de 2014!!

Olá!! Feliz 2014 para todos vocês!! Que seja um ano infinitamente melhor que 2013 (para mim esse aninho foi dose)

Hora do balanço! Como já disse, para mim, foi um ano complicado. Até começou bem, mas depois só deu dor de cabeça! Problemas de saúde na família, viagens por causa disso, etc. Aí meu projeto de ler um milhão de livros não deu muito verto, ficou para depois, assim como muitos outros (academia ficou em segundo plano, o tratamento ortomolecular ficou meio zoneado também, etc). Mas chega, né? Espero mais tranquilidade em 2014, e mais livros! :)

Por tudo isso, a quantidade de livros baixou. Alguns, inclusive, nem resenhei. Lia, mas não achava tempo para escrever. Depois, foi passando tanto tempo que já achei que não lembrava muito bem para poder escrever. Assim, dito isso, vamos para uma listinha dos livros que resenhei, os melhores e os "não tão bons" (não vou dizer livros ruins, pois acho que leitura nunca é ruim)

Livros que amei (não estão em ordem de preferência, tá?)

- Não me abandone jamais (Kazuo Ishiguro): resenha aqui.
- O sentido de um fim (Julian Barnes): resenha aqui.
- Precisamos falar sobre Kevin (Lionel Shriver): resenha aqui
- Butterfly (Kathryn Harvey): resenha aqui
- Fazes-me falta (Inês Pedrosa): resenha aqui

Livros que não me empolgaram:

- Formaturas Infernais (vários autores): resenha aqui
- Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach): resenha aqui
- Apanhador no campo de centeio (J. Salinger): resenha aqui
- Lua Azul (Alysson Noël): resenha aqui

Dos que eu gostei muito, notei uma tendência minha. Tenho preferência por livros "sérios" mesmo. Ou, pelo menos, foi assim em 2013. Já os que não curti tanto, não há perfil nenhum! Tem de tudo, do clássico ao comercial, cult ou bobinho.

Mas, vamos falar do novo e dos projetos para 2014!
Não sei se estou metendo os pés pelas mãos e abraçando mais do que consigo, mas é começo de ano e a gente empolga, não é? Assim, resolvi que vou participar do Desafio Literário do Blog Fascínios Literários, do Henrique.  A proposta é meio ousadinha, não sei se 2014 vai querer me atropelar assim como o ano passado fez, mas, vamos nessa. A proposta é a seguinte (não listei meus títulos pois ainda estou separando livros que comprei/ganhei para fazer um planejamento bonitinho. Ah, as regras estão exatamente conforme ele escreveu)

O Desafio consiste na seguinte forma: cada mês é designado com 1 livro obrigatório do desafio e mais 2 opcionais. Quem se inscrever no Desafio e quiser receber um emblema de "vencedor" deve ler os livros que constam como obrigatórios. Os opcionais você faz se quiser mas, quem concluir os opcionais também, ganhará um emblema extra. Deu para entender?

Regras:
  • São válidas releituras (podem reler algo caso não tenha outro, ou só por preferir mesmo).
  • São válidos eBooks.
  • Ao final de cada mês o participante deve postar em seu blog como está indo seu progresso e se fez também os opcionais.
  • A leitura do livro obrigatório deve ser feita até o final do mês vigente. Por exemplo, não vale começar em Janeiro e terminar em Fevereiro.
  • Não pode ler apenas 1 livro que valha por 2 temas (por exemplo: o livro começa com C e também é de autoajuda). Tem que ser um livro para cada tema.
  • Deixar o banner do Desafio em seu blog.


Segue a lista de meses com os temas obrigatórios e opcionais:

Janeiro

Obrigatório: 
  • Ler um livro cujo título comece com a letra C.
Opcionais:
  • Ler um livro cuja capa é ilustrada, e não com imagem.
  • Ler um livro de autoajuda.
Fevereiro

Obrigatório:
  • Ler um livro que tenha mais de 6 meses na sua estante e ainda não foi lido e depois resenhá-lo.
Opcionais:
  • Ler um livro sobre anjos.
  • Ler um livro que contenha mais de 500 páginas.
Março

Obrigatório:
  • Ler um eBook nacional que foi comprado na Amazon.com
Opcionais:
  • Ler um livro que você não sente vontade de ler. Dê uma chance a ele.
  • Ler o primeiro volume de uma série que contenha 4 livros (spin-offs contam).
Abril

Obrigatório:
  • Ler um livro publicado no Brasil cujo título foi mantido em inglês.
Opcionais:
  • Ler um livro que tenha no mínimo 3 palavras no título.
  • Ler um livro que contenha a palavra "alma" ou no título ou no nome do autor.
Maio

Obrigatório:
  • Ler um livro que tenha traço histórico (ex: Assassin's Creed, etc)
Opcionais: 
  • Ler um livro sobre magia.
  • Ler um livro de capa preta.
Junho

Obrigatório:
  • Ler uma distopia.
Opcionais:
  • Ler um livro do John Green.
  • Ler um livro que tenha um dos elementos na capa (fogo, terra, água e ar).
Julho

Obrigatório:
  • Ler um livro infanto/juvenil que tenha no mínimo 150 páginas.
Opcionais:
  • Ler um romance policial.
  • Ler um livro clássico.
Agosto

Obrigatório:
  • Ler um livro erótico.
Opcionais:
  • Ler um livro nacional sobre vampiros.
  • Ler um antologia (antologia é um livro repleto de contos, e não uma história só).
Setembro

Obrigatório: 
  • Ler um livro de uma editora nova no Brasil (ex: DarkSide, Wish, EraEclipse, etc).
Opcionais:
  • Ler um livro com a palavra "ferro" no título.
  • Ler um livro sobre bruxas.
Outubro

Obrigatório:
  • Ler um livro steampunk.
Opcionais:
  • Ler um livro com a palavra "mecânico (a)" no título.
  • Ler um livro com uma caveira na capa.
Novembro

Obrigatório:
  • Ler um livro que seja uma nova versão de algum conto de fada.
Opcionais: 
  • Ler um livro da série Querido Diário Otário ou Diário de um Banana.
  • Ler um livro de capa roxa/lilás.
Dezembro

Obrigatório:
  • Ler um livro natalino.
Opcionais:
  • Ler um livro que você não goste da capa.
  • Ler um livro de terror.
Antes de decidir entrar nesse desafio, tinha me proposto a fazer um, por conta própria. Vou tentar, nesse ano, ler um livro de um autor de nacionalidade diferente por mês. Como o desafio do Henrique já é tenso (rs), vou tentar encaixar os dele nos meus. Se não conseguir será mais um na lista mensal. Estou vendo autores de países que fogem um pouco dos EUA, né? Um brasileiro, pelo menos, vou ler, questão de honra! A gente tem que valorizar a literatura nacional, e tanta gente acha que os nacionais se resumem à Machado de Assis (e eu adoro), mas tem muita gente nova por aí! 
Acho que eu enlouqueci, mas vamos lá! Mãos à obra (olhos, preparem-se)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Para Sempre – Kim e Krickitt Carpenter


Li o livro já faz um tempinho, mas resolvi esperar para ver o filme, para comparar.

Honestamente, não precisaria. Já sabia que o filme era só inspirado na história real, mas na verdade, eles têm só o tema em comum, o resto é bem diferente, então, realmente, são duas coisas bem distintas.

A história real, contada no livro, fala sobre Kim e Krickitt Carpenter, americanos que se conheceram depois que Kim, que era treinador de uma equipe de baseball, liga para encomendar agasalhos esportivos a uma empresa. A atendente é Krickitt. É bacana e inusitado a forma como o casal se conheceu, afinal, imagino quão poucas são as chances desse tipo de encontro dar certo. :)

Daí em diante, temos um relato sobre como mantiveram contato (telefonemas e viagens aéreas) até se casarem. Krickitt é muito religiosa, cristã praticante, missionária. Aí, apenas dois meses após o casamento, ao irem passar o dia de ação de graças na casa dos pais dela, sofrem um acidente, onde ela quase morre.

Ao começar a melhorar, percebem que Krickitt não se lembra de ter casado. Nem de Kim. E aí passamos a saber como foi o período de recuperação dela (de como ela ficou chata, parecendo uma criança mimada, ou uma adolescente rebelde), e a percepção de Kim de que sua amável esposa tinha morrido naquele acidente,e dado lugar a outra Krickitt.

Compartilho o sentimento de muita gente que leu o livro (e que leu entrevistas dadas pelo casal). Não foi, aparentemente, o amor que manteve o casal junto, mas muito mais o sentimento de dever religioso, de manutenção dos votos matrimoniais. O que não desmerece a história, por favor. Mas se você espera romance, talvez se decepcione.

Aliás, uma das ressalvas sobre o livro é justamente isso. Não que se espere um romance água-com-açúcar. Mas devemos ter em mente ao ler o livro, de que ele é um relato. Não foi escrito por um escritor, realmente, mas por Kim e Krickitt (mais por Kim, o que deixa algumas passagens meio floreadas demais, um tanto forçadas, pois quando se vê entrevistas de Krickitt, percebe-se que ela sempre diz que nunca mais se lembrou dos momentos de casada, de como foi conhecer o marido, e mais, que não se apaixonou perdidamente por Kim, mais uma vez, mas sim aprendeu a viver com ele).

Ao ler o livro, temos a impressão de ler, na verdade, uma reportagem de jornal ou revista.

E eu não costumo gostar de capas de livro com cenas de filme. Pode ser jogada editorial excelente para alguns, mas para mim, o efeito é contrário. É um tipo de repelente, chego a não comprar o livro, se a capa oferecida é a que foi feita com um cartaz do filme. Mas, nesse caso, não tinha muita escolha, foi assim mesmo (e olha que gosto da Rachel McAdams).

Sobre o filme, como já disse, tirando a premissa acidente-amnésia, esqueça o restante do livro. O nome dos personagens, profissão e desenrolar da história é totalmente outro. A cena inicial do casamento é bem bacana, e serve para fazer algo que foi falho no livro: identificação com o casal. Aquela coisa de ver a fase inicial dos dois e depois ficar torcendo para que eles voltem a dar certo, sabe? (isso porque o casal do filme, com McAdams e Channing Tatum nem é tãaaaao bom assim. Química mesmo foi entre Rachel e Ryan Rosling em Diário de Uma Paixão :P ). Também não é um filme excelente, mas além de mostrar mais o casal junto, o que gera essa identificação, traz um outro antagonista (além da própria amnésia), o ex-noivo, o que dá mais "caldo".

Recomendo os dois, filme e livro, com as ressalvas acima. Assistam, leiam... mas não precisa sair correndo para fazê-lo!
 casal da ficção e da vida real

Se quiser um texto a mais sobre a história (em inglês), clique aqui

Trailler do filme, aqui 

Mais livros com o tema amnésia?  Clique aqui

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Fragmentos - Marilyn Monroe


Mal comecei o texto e já estou aqui pensando na dificuldade que vai ser colocar tags nele... Fragmentos não é uma autobiografia, não é romance, não é ficção, não é uma biografia (autorizada ou não). É uma reunião de coisas tão íntimas, escritos, desabafos, cartas, de ninguém mais que Marilyn Monroe.

E mesmo que o leitor não seja um grande fã, devemos reconhecer que é impossível ficar imune à presença de Marilyn. Desde que me entendo por gente (e não sou da época da atriz), sou bombardeada por fotos e imagens dela. Um dos preços de ser alçada a ícone, mesmo antes de morrer. Quem é Marilyn? Saindo da casca de Marilyn, quem era Norma Jean? Para alguns, deusa, para outros, diva, ícone, celebridade. Para outros, uma pessoa perdida e fútil, ou uma alma atormentada. Mas ninguém diz que é uma reles mortal. Esse status básico não foi permitido a ela. Ela poderia ser tudo, mas não poderia ser mortal. E talvez por isso sua morte ainda seja objeto de tanta especulação. Suicídio? Conveniência? 

E o que se sabe sobre ela? Geralmente, o que se vê nos filmes. Aquela imagem de Vênus platinada, inocente - mas nem tanto, sedutora e não muito inteligente. Ou, para os que buscaram a opinião de outros, uma pessoa melancólica, que fazia muitos questionamentos sobre a vida, e que sofreu uma série de traumas durante sua existência.

E então, surge esse livro: Fragmentos. Como disse, difícil de conceituar. Mas abre uma luz sobre Marilyn.

Imaginem que vocês mantêm textos, rabiscos, projetos de poesias, etc., guardados. E que às vezes, esses escritos guardam também todas suas agonias, raivas, frustrações e inseguranças, misturadas com listas de jantares, confissões tolas e análises que você faz sobre o que está ao seu redor e pior- sobre si mesmo.
Isso tudo é o que se encontra em Fragmentos. São textos espalhados de Marilyn, sobre suas reflexões. Imagina o que é abrir o diário de alguém? Imagine então abrir o diário da diva. Com isso, você poderá se surpreender (opa, talvez ela não fosse tão desmiolada quanto pintam), ou se decepcionar (talvez ela seja sim, desmiolada, fora de rumo). Mas poderá saber o que a própria pessoa pensava de si própria, o que temia, e o quanto era frágil.

O bacana é que o livro é lindo, com capa dura, recheado de fotos (não comuns) da diva, e em muitas delas, rodeada de livros (ela se esforçava em tentar melhorar, e devorava livros, como escape, e lia também muitos clássicos, livros tidos como difíceis).

Há várias notas explicativas, que situam o leitor naquele universo. No fim, uma cronologia da vida da atriz, e alguns comentários interessantes sobre sua vida.

E o melhor, a edição traz cópias dos textos, assim como foram escritos (ou seja, com a letra de Marilyn e também seus erros ortográficos, riscos e rabiscos). Na página ao lado, a versão “traduzida”, limpa para o leitor.

Como disse, não é uma história. Mas foi muito interessante ver o quão atormentada poderia ser uma pessoa que, para os olhos de muitos, tinha tudo o que se poderia desejar. Para mim, é agonizante ler alguns trechos onde ela se questiona tão profundamente, sobre tudo. Ver o quão triste e solitária uma pessoa poderia ser, e quão insegura sobre si mesma.

E, claro, é daqueles livros lindos que você pode deixar na sala, de decoração (depois de ler, vai, não seja fútil)! :)


Trechos:
 Após um ano de análise

Socorro, socorro
Socorro.
Sinto que a vida está chegando mais perto
Quando tudo o que quero
É morrer.

Grito-
Você começou e terminou no ar
Mas onde estava o meio?

 ---

Porque é que eu tenho a sensação – de que nada está realmente acontecendo - mas estou interpretado um papel - pelo qual me sinto culpada nele tanto quanto sei o que estou dizendo o que sou e (os) seus efeitos premeditados - exceto
Estou inibida demais para me sentir espontânea porque estou com medo de ser má –
Porque não sei o que vai sair disso - o que vai acontecer
Até gás do meu estômago (com medo de escrever peido)
E serei humilhada e me sentirei menor do que qualquer coisa ou pessoa


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Cotoco - John van de Ruit


John Milton (sim, como o escritor famoso) é um menino de 13 anos, que ganhou uma bolsa num respeitado internato, na África do Sul, na época da libertação de Nelson Mandela (1990). A família dele, mãe, pai e avó, é bem maluca, fora do convencional, mas ele percebe que os colegas e professores do colégio podem ser mais loucos ainda. Os apelidos dos colegas já revelam muito sobre a questão: Lagartixa, Cachorro louco, Rambo... para ele, sobrou Cotoco. O motivo? Embora seus amigos tenham idades parecidas, John é o único que ainda não entrou na puberdade, ainda tendo a voz infantil e fina (sendo parte importante do coral, por causa disso) e... seus órgãos genitais ainda não estão desenvolvidos... E o apelido é dado bem rápido, afinal, no internato os banhos são coletivos.

O livro conta o dia a dia de Cotoco, em forma de diário. É bem leve, e muitas vezes você vai se pegar rindo à toa. Não tem nada de jabá, mas devo dizer que o preço sempre me impediu de levar o livro (costumo ler coisas mais sérias, então ele sempre era deixado para trás), mas semana passada, na Livraria Cultura, o danadinho estava em promoção, custando 9,90 dinheiros.

A maior parte do livro tem tom de comédia juvenil, então, novamente, aviso, não espere um livro sério. Talvez por isso, inclusive, que tenha demorado um pouco mais que o normal para terminar de ler Cotoco. Ele não é aquele livro que prende absurdamente, que você acha que não vai conseguir dormir se largar, mesmo que já seja 3 da manhã e você esteja muito cansada. É um diário, de um menino de 13, então, você vai lendo e vendo o passar dos dias de Cotoco, de uma forma mais tranqüila, mais leve (embora, SIM, existam partes tristes).

Só fiquei sabendo ontem, ao pesquisar a capa do livro, que ele tem duas continuações (que eu saiba, não tem no Brasil), e que também há filme baseado no primeiro livro (spud - the movie).

Como estava numa maré de livros mais pesados e/ou densos, foi um tanto difícil pegar no tranco. Acho que estava esperando um pouco mais da história do Mandela, mas aí também, quis demais do livro, assumo. Ele foi bom para aquelas horas que não estava muito bem nessa semana, por uma série de motivos. Ficava meio triste, pegava Cotoco, dava umas risadinhas, melhorava um pouco, ia dormir.

Aliás, por causa de uma série de eventos dessa semana, me peguei pensando numa coisa, e eu sei que é pura divagação, mas enfim... Pessoas que lêem muito. Onde termina esse amor todo por literatura e onde começa a fuga da realidade? Sim, não se enganem, eu amo livros, desde sempre. Mas reparo que, quanto mais triste ou cansada eu esteja, mais eu busco livros, meio que como uma forma de isolamento do mundo real, meio que como uma fuga, para não ter que encarar (e responder) meus próprios pensamentos. Será que os livros estão deixando de ser tanto um amor e se tornando mais uma válvula de escape? Enfim, se acreditar no Blogger, tem até muita gente que me lê, embora não haja muitos comentários, mas, de certa forma, é um desabafo... para uma postagem sobre um livro leve, isso aqui ficou muito para baixo. Desculpem-me por isso!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Na Natureza Selvagem - Jon Krakauer


Sim, eu demorei bastante para escrever de novo, mas o trabalho anda tão maluco aqui, tanta coisa, que mal sobra tempo para respirar. Mas ao invés de me justificar, vamos ao que interessa:

Na Natureza Selvagem, escrito por Jon Krakauer, conta a história de Chris McCandless, um jovem de família rica dos EUA, que, pouco após sua formatura, desaparece. Mas não, ele não foi seqüestrado ou algo parecido. Ele largou tudo o que tinha, inclusive seu dinheiro, e resolveu fugir do sistema e das convenções. Depois de anos, seu corpo, já em decomposição, foi encontrado no Alasca. Causa da morte: inanição. O autor, com base em pesquisas, depoimentos e relatos, traça os dias de Chris, desde sua ruptura com o mundo, até sua morte, buscando a trajetória feita, as pessoas que encontrou, o que pensava quando tentou fugir dos padrões da sociedade.

O livro é uma espécie de documentário, um relato sobre esse jovem, que realmente existiu. Sim, a história de Chris é verídica. Um jovem que tinha tudo, mas resolveu não ter nada. Indignado com a percepção de que sua vida toda tinha sido programada, tendo uma relação delicada com seus pais, e um amor muito grande a sua irmã, e tendo sempre se mostrado um amante da natureza e de esportes, como a corrida, quando se viu finalmente confrontado, tendo que assumir a vida que as pessoas entendem que os adultos devem ter, resolveu viver da forma com que ele achava que deveria. Num primeiro momento, em sua jornada, leva seu carro antigo, algum dinheiro e documentos. Depois, decide viver em total harmonia com a natureza, trazendo consigo apenas o que poderia carregar. Abandona carro, o pouco dinheiro que tinha, e também seus documentos. Passa a se auto denominar Alexander Supertramp. Para se deslocar pede carona, se precisa de algo que custa dinheiro, faz algum bico, fica um tempo em algum lugar até que obtenha o pretendido para, em seguida, continuar seu caminho incerto.

O autor, jornalista, reconstrói esses acontecimentos, e nos diz um pouco da personalidade de Chris/Alexander. Para muitos, um louco irresponsável, para outros, principalmente para as pessoas que conviveram com ele, um sonhador, uma pessoa boa, extremamente cativante.

Jon Krakauer vai tecendo sua história, fazendo comparações com outros personagens de trajetória semelhante, contando também um pouco sobre a família que ficou para trás, as pessoas que Chris cativou em seu percurso, e tentando resolver algumas questões: Por que escolher o Alasca? O que aconteceu com aquele jovem, que até então parecia bem preparado e inteligente o suficiente para prever alguns acontecimentos e evitar erros, a acabar morrendo de inanição, sozinho, num ônibus abandonado no meio do nada?

O leitor, por sua vez, pode tanto se identificar com aqueles de perfil mais prudente, que além de questionar as escolhas de Chris, ingênuas até, ou se identificar com ele, o que, de certa forma, é o meu caso. Quem teria coragem de abandonar tudo assim, ABSOLUTAMENTE TUDO, e sair por aí, vivendo do que a natureza pode te oferecer, pois não acha que o mundo atual não é uma escolha? Ao mesmo tempo, a trajetória de Chris revolta alguns, pois, além de ter causado a morte dele próprio, ao se tornar uma espécie de lenda, muitas pessoas, até hoje, tentam refazer o caminho que ele percorreu, também tentando enfrentar o frio da Alasca totalmente sozinho, sem muitos recursos. Também dá para entender a irritação das autoridades policiais de lá, que tem seu trabalho dobrado ao resgatar imitadores de Chris McCandless.

O livro teve uma adaptação cinematográfica, com o mesmo nome (em inglês, Into the Wild). O diretor é ninguém menos que Sean Penn (que também escreveu o roteiro). O ator principal é Emile Hirsch, que está muito bem no papel. O filme também conta com nomes como William Hurt, Márcia Gay Harden, Vince Caughn e Kristen Stewart (até então uma semi-desconhecida). O filme é lindo, Sean Penn e Emile Hirsch arrasaram mesmo!

E para finalizar, mesmo que não tenha vontade de ler o livro, ou de ver o filme, ESCUTEM a trilha sonora, que é deliciosa, feita por Eddie Vedder (sim, para os incautos, vocalista do Pearl Jam). Vale muito a pena, é linda, dá vontade de colocar no repeat para sempre.




“(…) SEM JAMAIS TER DE VOLTAR A SER ENVENENADO PELA CIVILIZAÇÃO, FOGE E CAMINHA SOZINHO PELA TERRA PARA SE PERDER NA FLORESTA”. (foto e frase reais de Chris McCandless)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Prova é a Testemunha - Ilana Casoy

Aqui no Brasil, impossível não ter sido bombardeado por notícias do caso da menina Isabella Nardoni. Não acredito que alguém, minimamente ligado nas notícias da TV, jornal e internet não saibam do ocorrido, acompanhando o caso, sua apuração e por fim, o julgamento (de Alexandre Nardoni, pai de Isabella, e de Anna Jatobá, sua madrasta). E não há quem ficasse imune à imagem da outra Ana, a mãe, e de todo o seu sofrimento, estampado no rosto, exalando a cada poro.

Pois bem. A pesquisadora Ilana Casoy pôde assistir ao julgamento, dia após dia, juntamente com a Promotoria. Logo no começo do livro, está uma peça técnica, jurídica, contendo a denúncia. Mas não pensem que o livro é somente assim, em juridiquês. Primeiramente, porque a denúncia serve para colocar o leitor no contexto do caso. E o que se segue é a narrativa da autora, muito bem feita, em linguagem clara, tanto que chegamos a ter a impressão de que estamos junto a ela, no Tribunal do Júri, assistindo ao julgamento, segundo a segundo.

Claro que todos sabem o desfecho do julgamento, mas não pensem que isso faz com que a narrativa fique cansativa. A descrição dos acontecimentos é muito detalhada, rica mesmo, sem tentar condenar os acusados logo na primeira folha. Fases do julgamento nos fazem lembrar o programa C.S.I., com as tentativas de criar e derrubar provas (lembrando o importante detalhe de que não houve confissão, nenhuma testemunha ocular, e com a vítima morta, não havia ninguém contando o que presenciou naquele apartamento do sexto andar). Em outros momentos, nos vemos num filme ambientado nos Tribunais, com os embates ferrenhos entre defesa e acusação.

Posso ter feito uma leitura meio apaixonada sobre o livro, pois sendo advogada, esse tipo de leitura me interessa. Mas não achem que ele é destinado aos estudantes/operadores de direito. O tema até hoje nos toca, e acaba interessando. Afinal, o que leva alguém a matar uma criança? E se a pessoa for o próprio pai?

Enfim, um caso real, finamente detalhado, com informações que a imprensa não nos deu. Mal posso esperar para ler outro livro da autora, O Quinto Mandamento, dessa vez sobre o caso von Richtofen, e conferir se a escritora manteve a mesma qualidade desse livro, hoje recomendado.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Vida Roubada - Jaycee Dugard

Jaycee Dugard tinha onze anos quando foi seqüestrada por um estranho e sua esposa. Uma menina tímida, que não tinha lá boas referências do mundo masculino (o pai a abandonou, ela não conheceu. O padrasto era visto somente como uma fonte de críticas, de visível predileção pela filha biológica).
Indo para a escola, num dia até então normal, pensando em coisas que uma garota daquela idade, naquele contexto, pensaria, teve a vida interrompida por dezoito anos (dos 11 aos 29!). Durante esse período, foi proibida de dizer seu nome, ficava enjaulada em um porão, ou em quartinhos, e até mesmo numa barraca, no quintal de seus agressores. O banheiro se resumindo a um balde. E claro, as agressões físicas, psicológicas e sexuais sofridas.
Teve duas filhas com seu estuprador, durante o cárcere. O livro trata de suas memórias durante o seqüestro. No fim de alguns capítulos, ela faz uma reflexão, atual, dos fatos ocorridos, suas impressões, o que enxergou depois da terapia, como passou por aquele momento, etc.
O relato é interessante, principalmente, para percebermos o tipo de manipulação psicologia um adulto doente pode exercer numa garotinha tímida e sem experiências. E o quanto é cruel, para qualquer pessoa, imagine então para uma criança, estar nas mãos de um agente opressor, e dele depender para tudo na vida: comida, roupas, higiene, etc. Fazer uma criança acreditar que ela está fazendo um bom papel, pois está ajudando outras meninas, pois, com ela morando com o estuprador, ele não precisa mais “machucar outras meninas”, porque tem um “problema sexual” é muito perverso.
E difícil acreditar que esse homem, Phillip Garrido, tinha uma esposa, Nancy, que não só ajudou no seqüestro, como sabia do que ocorria com a garota, se omitia, e ainda confessava que distraia outras meninas na rua, as estimulando a fazer spacattos, enquanto o marido filmava tudo às escondidas, para fazer seus filmes. A esposa era auxiliar de enfermagem, e ajudou a realizar os dois partos de Jaycee (um aos 14 anos, outro aos 17).
Novamente, por óbvio, não se trata de uma leitura fácil. O texto é fluido, sem linguagem rebuscada, é cheio de fotos, trechos de cartas e diários que ela pode escrever durante o cárcere, mas nos momentos em que ela relata as agressões, principalmente quando ela cita as “maratonas” a que era submetida (não preciso entrar em detalhes para que seja possível imaginar de que se trata o tema) são torturantes. Por muitos momentos, parei de ler o livro, para poder respirar mesmo. Além disso, o que causa uma indignação tremenda é sabermos que aquele homem já tinha sido preso, por estuprar uma mulher, e estava em liberdade condicional. Nos EUA, significa que você estará submetido a um agente policial, que deve vigiar você, visitar sua casa, saber o que está acontecendo em sua vida, se está trabalhando, onde mora, o que faz... E dezoito anos se passaram sem que nenhum dos agentes tenha notado algo incomum. E Jaycee não foi mantida num cárcere longínquo, mas sim numa casa, num bairro residencial. Nunca houve um vizinho que desconfiasse. Mesmo quando ela ficou mais velha, e podia sair com os seus agressores, nenhuma pessoa desconfiava do jeito dela, de seu comportamento. Como a autora mesmo dizia, estava invisível. Ninguém a enxergava, ou desconfiava, ou se importava.  Somente em 2009 ela teve sua vida devolvida, reencontrou sua mãe e a liberdade. A autora tem uma fundação, a JAYC Foundation. Significa: Just ask yourself to... care! (apenas peça a você mesmo para... importar-se!). Em 9 de março de 2012 recebeu o prêmio DVF (Inspiration Award), para mulheres que lutam por justiça. 


Parte da renda de seu livro é destinada à sua fundação, e no site há maiores informações sobre como ajudar. No link a seguir, há um trecho introdutório do livro, em português. http://www.record.com.br/vidaroubada/images/vida+roubada+cap1.pdf
O endereço da JAYC Foundation é o seguinte: http://thejaycfoundation.org/
Para entender mais da história: http://thegrooversrpg.blogspot.com.br/2011/07/sequestro-de-jaycee-lee-dugard.html

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Jogos Vorazes - Suzanne Collins

Sinopse do site Submarino: Mistura de ficção científica com mitologia e reality show, Jogos Vorazes é o mais novo fenômeno da literatura jovem, precursor de tendência no milionário mercado de best-sellers juvenis: a dos romances ambientados num futuro pós-apocalíptico. Há mais de 85 semanas na lista de mais vendidos do The New York Times e de outras publicações de prestígio dos EUA, e elogiado por Rick Riordan, da série "Percy Jackson", e Stephenie Meyer, da saga "Crepúsculo", o livro, primeiro volume de uma trilogia, rendeu à autora Suzanne Collins lugar na balada lista de 100 personalidades mais influentes do ano da revista Time.

Ambientado num futuro sombrio, o livro narra uma luta mortal pela sobrevivência encenada por crianças e transmitida ao vivo para todos os habitantes de uma nação construída nas ruínas de um lugar anteriormente conhecido como Estados Unidos. Com este mote surpreendente e uma narrativa ágil, Jogos Vorazes já foi traduzido para mais de 30 idiomas e vem se tornando um crossover, atraindo leitores de diversas faixas etárias.

Não fiz, eu mesma, uma sinopse, pelo simples fato do filme estar bombando nos cinemas, e muita gente está correndo atrás dos livros (é uma trilogia, se alguém vive em marte e ainda não sabe) então, acho que não tem muita gente por fora do assunto, certo?

Li o primeiro e o segundo livro num só dia, e o terceiro, no dia seguinte, não tanto tempo atrás assim. E fui ver o filme sem muita empolgação, embora não seja, nem de longe, uma dessas fãs que acham que nada do que foi adaptado é bom. Longe disso. Eu só fiquei com certa birra, pela estratégia escolhida para a divulgação. Fiquei irritada com esse papo de “novo Crepúsculo”, “novo Harry Potter”, etc. Mas vamos por partes, e já avisando que vou acabar misturando minhas impressões do livro com o do filme, desta vez.

De certa forma, por ser uma literatura juvenil (aqui no Brasil foi lançado pela Rocco Jovem), pode ser que os créditos a Harry Potter e Crepúsculo sejam devidos, pois não acho imprudente dizer que os jovens de hoje, provavelmente iniciaram-se no mundo da leitura por causa de tais livros (Harry, principalmente). Assim, podemos até aceitar que esses livros anteriores abriram portas e mentes para Jogos Vorazes e suas continuações, pois a história agora é mais pesada, sombria, e com uma grande crítica social.

Aí um ponto muito interessante de Jogos Vorazes: A distopia (seria algo como o oposto de utopia) criada é muito inteligente, e várias críticas a nossa sociedade atual podem ser lançadas. O visual berrante da capital (nisso o filme foi além da minha imaginação, quando li os livros) pode ser visto como nossa obsessão em seguir os ditames da moda, os fashionistas, as it girls... toda a capital parece uma mistura bizarra entre os visuais dos japoneses (estilo harajuku), desfiles de semanas de moda que assistimos por aí e algumas pitadas de idéias de modificação corporal. E ninguém pode ser considerado da capital, se não estiver parecendo uma salada de estilos. Encontramos também a questão das diferenças sociais, pois os distritos são inferiores à capital, e há diferenças também entre si. Distritos mais, digamos assim, amigáveis, ao discurso da capital não ficam tão mal em comparação ao de Katniss (os mineiros), por exemplo. E temos, claro, toda a questão dos realities shows, da dominação que os meios de comunicação em massa podem exercer nas pessoas, e até que ponto podemos ser meros expectadores, pois nesse caso, estaremos diante de um show de horrores, mas que a capital pinta, grava e transmite como o melhor e principal evento de todos os tempos, o que, num primeiro momento, parece não ser questionado pelos membros dos distritos.
E nenhuma dessas críticas se diminuem na presença do casal principal (e acho que não tem como não amar o Peeta), do certo triangulo que se forma na história, e dos demais personagens carismáticos que vão aparecendo (como Rue, por exemplo, ou até mesmo o ranzinza Haymitch). Nada dessas coisas tiram o viés de critica social que o livro tem. Assim, é um livro mais adulto que os demais, que se tornaram febre atualmente.
Por isso me irrita a comparação, principalmente com Crepúsculo (e olha, tenho e gosto dos livros. Harry Potter, então, amo). Crepúsculo tem seus méritos, mas não há críticas sociais, a história é mais sentimentalóide, bem água com açúcar, o que, inclusive, assusta os leitores do sexo masculino. E Jogos Vorazes tem tudo para agradar o público masculino, pois é ágil, e tem muitas partes focadas no torneio, na arena onde os jogos se desenrolam.
Mas, como sou do sexo feminino, também devo acrescentar uma observação: Muito bom que seja uma heroína no papel principal, e que ela aja, e não somente fique berrando por ajuda. No filme, tive a impressão, inclusive, que o personagem Peeta fica muito passivo, sempre precisando de Katniss para se salvar. O livro me dá outra impressão: Ele tem ciência de que não tem lá os melhores dotes físicos para sobreviver ao torneio mas sem ele, e todos temos consciência disso, Katniss não se transformaria no que é apresentado ao público, pois ela não tem lá grande carisma. Já ele é dotado de uma oratória impressionante, e tem uma capacidade de visão em perspectiva que praticamente inexiste em Katniss. Ele consegue enxergar o futuro, e as manipulações do jogo e das pessoas. Ela não. É mais força bruta, impulsos, instinto.
Não li os mangás, mas sei que Jogos Vorazes se inspirou muito em Battle Royale, embora a maioria apenas cite suas semelhanças com o Mito de Teseu.
Se alguém ainda não viu o filme, recomendo muito. E devo registrar que as notícias que li sobre “fãs” revoltados com a adaptação me deixou muito indignada. Obviamente, sempre tem o fã mala que acha que a adaptação não está lá grandes coisas. Mas criticar a escolha da cor da PELE dos personagens me deixa horrorizada. Primeiramente porque Katniss, no livro, sempre me pareceu algo como uma índia americana (o livro diz que ela tem cabelos negros e lisos, e pele olivácea), e personagens como a Rue foram descritas tendo cabelo e pele marrom escuro, então, me choca com gente dizendo que a escolha da atriz negra era uma afronta. Gente, por favor! E para aliviar o tema, pra terminar, devo dizer que me senti uma velha no cinema. Enquanto as meninas mais novas suspiravam ao ver a primeira aparição do Peeta, eu e as mais “senhoras” da sala só nos manifestamos quando apareceu o Cinna. Todas nós, quase balzaquianas, praticamente gritamos: É o Lenny Kravitz! Corram para uma livraria E para o cinema, aproveitem o feriado!

Sorte - Um caso de estupro - Alice Sebold

Alice Sebold escreveu, até o momento, três livros. O mais famoso, Um olhar do Paraíso, já virou até filme, e é o que eu menos gosto.

Sorte é o primeiro de seus livros e é, de certa maneira, um tanto autobiográfico. Relata o estupro que ela sofreu, aos dezoito anos, no campus da universidade que estudava. A primeira parte do livro é um relato cru, seco, sobre o ocorrido. A autora era virgem, morava no alojamento da universidade, depois de sair de casa, e do abrigo da família, um tanto fora do normal, para estudar. Daí em diante, narra-se a jornada da autora, tentando não se vitimizar, sobreviver, procurar justiça... o que nem sempre dá certo, então, você vai encontrar também relatos sobre uso de drogas e passagens sombrias, que vão te dar um panorama sobre a vida de Alice.
Sorte, por muitas vezes, tem uma escrita irônica, o que se percebe até mesmo pelo título, que se justifica por uma história que lhe foi contada por um policial, à época do estupro. Ele, talvez numa tentativa tosca de consolar Alice, diz que, naquele mesmo local, uma garota também teria sofrido o abuso, mas havia sido assassinada, assim, ela teve “sorte”.

Leio e vejo muita gente comentando que não é o tipo de livro que gosta de ler, que o assunto não atrai. Bem, obviamente, o tema não é fácil, e o livro está a anos-luz de ser considerado “chick-lit”, mas, acredito que o assunto deve ser encarado. O que, aliás, era o propósito da autora, que pretendia, de certa maneira, desmistificar a palavra estupro. E devemos dar razão a ela, afinal, essa palavra costuma ser dito baixinho, pessoas que são vítimas do abuso (hoje em dia, não somente as mulheres, já que a lei brasileira agora entende -ufa- que tal crime não é exclusivo), e que, infelizmente, muitas vezes as pessoas olham para as vítimas com olhares acusatórios, como se a vítima pudesse ter alguma culpa pelo ocorrido.
Então, obviamente, não é uma literatura fácil, para distrair o cérebro. E aí está seu trunfo. É triste, angustiante, faz pensar, dá raiva, dá nojo, mas também mostra que é possível sobreviver ao ocorrido, viver, e encontrar novos caminhos.

O chato é que é praticamente impossível conseguir esse livro, tem que fuçar muito na internet ou em sebos por aí... ou ter muita sorte em achar um exemplar perdido numa livraria. É mais fácil encontrar o Quase Noite, mas dele falaremos num outro post.