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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Tem alguém aí? Marian Keyes - Desafio Literário 2014



Alguém tem medo de livro grande? Eu não!!

Uma das leituras opcionais do mês era encarar livro de mais de 500 páginas. Tendo em vista que fevereiro é um mês pequeno e que tenho outros livros na fila, decidi escolher um de leitura fácil, nada muito complexo.

Faz tempo que não pegava um chick-lit, então, nada melhor que escolher mais um livro da rainha do gênero (para mim, até hoje), Marian Keyes. Já resenhei aqui Melancia e Férias! Continuando com a saga das irmãs Walsh, mas como não me animo com a Margareth (provavelmente vou me arrepender quando decidir ler o livro dela – Los Angeles), fiquei com Tem Alguém Aí? que fala sobre a Anna. 

Lembra dela? A irmã meio voadinha, desligadinha das Walsh? Ela mudou, não está mais assim. Agora está em Nova Iorque, trabalha numa badalada empresa de cosméticos, a Candy Girrl (o que lhe dá acesso à festas, produtos grátis, entre muitas outras coisas muito legais), tem os amigos e um marido fofo, Aidan. Mas ela sofre um acidente e volta para Dublin, onde se vê novamente junto da família (que é doidinha de pedra). Ela está machucada, frágil, mas só pensa em melhorar e voltar para a vida que tinha em NY. Mas além da questão física, precisa entender o motivo pelo qual o marido se afastou. Embora todos tentem animá-la, fazer com que ela melhore, ela não para de pensar na vida que tinha.

Gente, se eu ficar contando acabo com o livro (embora não acredite que os fãs mesmo ainda não conheçam a história). Como disse, já li alguns livros das irmãs Walsh e, na minha opinião, esse é o mais triste. Não que ele não seja engraçado, veja bem, pois mesmo falando de coisas sérias, a autora consegue ser muito engraçada. Ela tem uma crítica muito afiada e um jeito de escrever que a gente reconhece em todos os livros dela, que acabam sendo leituras super rápidas e divertidas. E Tem Alguém Aí? é um deles, definitivamente. Mas sim, ele tem passagens super tristes. De dar dó.
Recomendo, tem 602 páginas mas você vai ler num dia ou dois!!

E não se assustem por eu ter começado a ler um livro opcional do desafio antes do principal! A resenha do livro obrigatório já está engatilhada, acabei pegando um atrás do outro mesmo!
Agora estou trabalhando a mente para ler Los Angeles, como já disse. A irmã que menos me anima realmente é a Margareth (a mais velha e certinha, que nesse livro surta e resolve ir para a cidade que dá nome ao livro). Agora estou querendo muito ler Chá de Sumiço, que é o tão aguardado livro da irmã-pentelha (a minha predileta) Helen!

Só queria saber qual o motivo dos livros dela serem tão caro$$$! E nunca estão numa mega-promoção super bacana. Dói no bolso mesmo (pobre sim, não estou negando). Vou dar uma olhada no Scoob, viu?
A rainha do chick-lit (pq tão caro, Keyes?)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Férias - Marian Keyes - Desafio Literário


Já que eu comecei a falar de chick lit, citei a Marian Keyes e o seu Melancia, já que o desafio literário em fevereiro é sobre livros que nos façam rir, já que o ritmo da vida ainda está meio devagar (pra mim), já que, já que..........

Voltaremos a mais um livro das irmãs Walsh!

Para quem não sabe, são cinco doidinhas: Claire (Melancia), Maggie (Los Angeles),Rachel (Férias), Helen (não tem livro ainda) e Anna (Tem Alguém Aí?), cada uma parecendo mais maluquete que a outra. Quero muito o livro da mala da Helen, e Los Angeles (Maggie) ainda não animei. De tanto as irmãs falarem que ela é chata, peguei birra (e sei que, provavelmente, vou me arrepender quando ler). De resto, já está tudo lido!
Mas, indo direto ao que interessa: Rachel Walsh mora em Nova Iorque junto com uma amiga. Vive a vida loucamente, indo a todas as festas que consegue, curtindo bares, noitadas, drogas (mas ela jura que são recreativas, todo mundo usa, e ela para quando quiser) e muuuuuito álcool. Se envolve com um carinha, e ela morre de atração por ele, mas não assume nem para si mesma, já que, segundo ela, ele parece breguinha e estacionado em algum lugar do passado, junto com aqueles cantores de rock cabeludos e de calça de couro.

Ela acha que está tudo sobre controle, embora as pessoas comecem a dar sinal de que estão se cansando dela, até que ela surta e tem um pequeno “acidente” (segundo ela, claro): sofre uma overdose.
Os pais a tiram de NY e avisam que ela irá ser internada, vai para a reabilitação. No começo ela surta mas, ao descobrir qual clínica é, fica animadinha. Segundo ela sabe, é a clínica super famosa onde os super famosos se internam. E se ela esbarra com alguém lá? Achando que tudo são férias, ela vai contente para a rehab.

Obviamente o castelo de conto de fadas que ela armou na cabeça não é bem o que parece e ela será obrigada a encarar os outros internos e, principalmente, a si própria.

Embora o tema (dependência química) seja, de fato, pesado, quem já leu Marian Keyes (que segundo conta, já enfrentou o alcoolismo), sabe que, mesmo nas partes tensas, sempre tem aquela frase que nos faz rir – e muito. Ela trata o assunto de forma leve. E Rachel no começo é totalmente lesada, alienada, o que nos rende boas risadas. Mesmo quando já está caindo na real, ela ainda tem tiradas geniais (traço, aliás, existente em todas as irmãs Walsh que li, em menor escala para Anna), o que faz com que você perceba que está vendo uma coisa muito séria, que talvez tenha acontecido com alguém que conhece (ou você mesma), mas está lá, rindo. 
Só não gosto muito dos preços dos livros da Keyes... alguém me explica porque eles nunca ficam baratos??

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Freud, me tira dessa – Laura Conrado – Desafio Literário 2013


Mais um livrinho de fevereiro, para o Desafio literário (tema: livro que nos façam rir)
Comprei o livro numa livraria do aeroporto (eu disse pra mim mesma que não ia mais comprar livros esse ano, mas, sempre me saboto), e terminei de ler entre a espera para embarcar e a chegada em Brasília.

Catarina é uma moça dos seus vinte e poucos anos, que passou a infância e a adolescência no interior de Minas, em Divinópolis, mas está atualmente em Belo Horizonte trabalhando numa multinacional, ganhando seu dinheirinho (que, claro, deveria ser maior), morando sozinha, saindo com as amigas, etc. Mas, enquanto a vida profissional parece andar bem, a pessoal está um caos. Acabou de levar um fora do colega de empresa, com quem se relacionava meio escondido, e o cara logo em seguida assume um namoro com uma menina pra lá de sem graça... também colega de trabalho. Para dar um descanso, vai pra casa dos pais no interior e descobre que a irmã mais nova agora namora seu primeiro amor de infância.

As suas duas grandes amigas em BH também parecem ter problemas (mesmo aquela amiga lida, que parece a Barbie, não parece estar super resolvida). Ouvindo a dica de uma parente, resolve que vai fazer terapia e resolver seus problemas... mas acaba se apaixonando pelo terapeuta e, assim, a confusão está armada.

No meio das passagens engraçadas, também tem coisas que fazem a gente pensar, como relacionamento entre pais e filhos, irmãos e os traumas que algumas coisas causam na gente, e carregamos pra vida, sem entender o porquê de tal comportamento.

A autora, Laura Conrado, foi fazer análise, um dia, e se apaixonou pelo terapeuta. Mas a história não é baseada somente na vida dela, mas numa reunião de várias histórias, de inúmeras mulheres que ouviu. Daí que fica fácil se identificar pelo menos um pouquinho com alguma passagem que ela conta. E dizem por aí que o livro vai virar série J

Diferentemente do livro do Luís Fernando Veríssimo, não é aquela história em que você morre de rir o tempo todo. Mas ele, mesmo nas partes mais sérias, não tira o humor do foco. A autora brasileira acerta ao nos dar um chick lit parecido com o deMarian Keyes, retratando a vida louca das irmãs Walsh, sabe?
Recomendo, leiturinha fácil e rápida, divertida, mas que, ao mesmo tempo,  faz a gente pensar em algumas atitudes. Leiam também!

PS: no site da autora, há uma promoção, e o livro vem autografado (poxa, fiquei fora dessa, para variar)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Para Sempre – Kim e Krickitt Carpenter


Li o livro já faz um tempinho, mas resolvi esperar para ver o filme, para comparar.

Honestamente, não precisaria. Já sabia que o filme era só inspirado na história real, mas na verdade, eles têm só o tema em comum, o resto é bem diferente, então, realmente, são duas coisas bem distintas.

A história real, contada no livro, fala sobre Kim e Krickitt Carpenter, americanos que se conheceram depois que Kim, que era treinador de uma equipe de baseball, liga para encomendar agasalhos esportivos a uma empresa. A atendente é Krickitt. É bacana e inusitado a forma como o casal se conheceu, afinal, imagino quão poucas são as chances desse tipo de encontro dar certo. :)

Daí em diante, temos um relato sobre como mantiveram contato (telefonemas e viagens aéreas) até se casarem. Krickitt é muito religiosa, cristã praticante, missionária. Aí, apenas dois meses após o casamento, ao irem passar o dia de ação de graças na casa dos pais dela, sofrem um acidente, onde ela quase morre.

Ao começar a melhorar, percebem que Krickitt não se lembra de ter casado. Nem de Kim. E aí passamos a saber como foi o período de recuperação dela (de como ela ficou chata, parecendo uma criança mimada, ou uma adolescente rebelde), e a percepção de Kim de que sua amável esposa tinha morrido naquele acidente,e dado lugar a outra Krickitt.

Compartilho o sentimento de muita gente que leu o livro (e que leu entrevistas dadas pelo casal). Não foi, aparentemente, o amor que manteve o casal junto, mas muito mais o sentimento de dever religioso, de manutenção dos votos matrimoniais. O que não desmerece a história, por favor. Mas se você espera romance, talvez se decepcione.

Aliás, uma das ressalvas sobre o livro é justamente isso. Não que se espere um romance água-com-açúcar. Mas devemos ter em mente ao ler o livro, de que ele é um relato. Não foi escrito por um escritor, realmente, mas por Kim e Krickitt (mais por Kim, o que deixa algumas passagens meio floreadas demais, um tanto forçadas, pois quando se vê entrevistas de Krickitt, percebe-se que ela sempre diz que nunca mais se lembrou dos momentos de casada, de como foi conhecer o marido, e mais, que não se apaixonou perdidamente por Kim, mais uma vez, mas sim aprendeu a viver com ele).

Ao ler o livro, temos a impressão de ler, na verdade, uma reportagem de jornal ou revista.

E eu não costumo gostar de capas de livro com cenas de filme. Pode ser jogada editorial excelente para alguns, mas para mim, o efeito é contrário. É um tipo de repelente, chego a não comprar o livro, se a capa oferecida é a que foi feita com um cartaz do filme. Mas, nesse caso, não tinha muita escolha, foi assim mesmo (e olha que gosto da Rachel McAdams).

Sobre o filme, como já disse, tirando a premissa acidente-amnésia, esqueça o restante do livro. O nome dos personagens, profissão e desenrolar da história é totalmente outro. A cena inicial do casamento é bem bacana, e serve para fazer algo que foi falho no livro: identificação com o casal. Aquela coisa de ver a fase inicial dos dois e depois ficar torcendo para que eles voltem a dar certo, sabe? (isso porque o casal do filme, com McAdams e Channing Tatum nem é tãaaaao bom assim. Química mesmo foi entre Rachel e Ryan Rosling em Diário de Uma Paixão :P ). Também não é um filme excelente, mas além de mostrar mais o casal junto, o que gera essa identificação, traz um outro antagonista (além da própria amnésia), o ex-noivo, o que dá mais "caldo".

Recomendo os dois, filme e livro, com as ressalvas acima. Assistam, leiam... mas não precisa sair correndo para fazê-lo!
 casal da ficção e da vida real

Se quiser um texto a mais sobre a história (em inglês), clique aqui

Trailler do filme, aqui 

Mais livros com o tema amnésia?  Clique aqui

terça-feira, 12 de junho de 2012

Diário de uma Paixão - Nicholas Sparks


Como hoje é dia dos namorados e, mesmo sabendo que a data é beeem comercial, não há como ficarmos imunes ao bombardeio de imagens nos lembrando do tema, mesmo quem está solteiro e, como no domingo participei (como convidada e cerimonialista) da celebração do casamento de uma prima minha, óbvio que peguei um livro água com açúcar, cheio de romance, para resenhar.

Não chega sequer a ser uma dica, afinal, não são muitas pessoas (homens e mulheres, ta?) que não ouviram falar de Diário de uma Paixão - livro. Ou Diário de uma Paixão – filme. Ou de Nicholas Sparks. Ou de todos eles. 

A história? Bem, para quem não sabe, vamos lá: Um senhor de idade avançada, que mora num asilo, começa a ler algumas anotações, e contar uma história que, segundo ele diz, é verídica. Tempos atrás, um jovem trabalhador, pobre, chamado Noah conhece, durante um verão, Allie, menina rica, aspirante a pintora.

Durante aquele período, os dois se apaixonaram, se envolveram, se conheceram e fizeram planos. Mas, aquele tempo acabou. A família de Allie, tradicional, até que não tinha nada “contra” o rapaz. Mas ele, sendo pobre, não poderia deixar de ser nada além de uma paixonite de férias. Quando percebem que talvez não fosse só isso, impedem o namoro, e vão embora. 

Quatorze anos se passam, muitas histórias e cicatrizes. Noah viveu muitas coisas, enfrentou a guerra. Allie desiste de ser pintora, se torna voluntária (também no período de guerra) e conhece Lon. E se apaixona, verdadeiramente. Lon é tudo o que a família quer para Allie, rico, bem sucedido. E Allie está feliz, preparando o casamento. Até que, num golpe de destino, ela fica sabendo onde Noah está. 

O bacana do livro, em minha opinião, é que ele não tenta esconder o que é. Assume-se como um romance açucarado e pronto. Não gosta? Azar. E é bem legal, ao fim do livro, algumas perguntas que ele lança (um capítulo à parte, com pontos de discussão mesmo). Bem coisa de “clube do livro”, comum nos Estados Unidos (as pessoas combinam um título, lêem e, depois de um tempo, marcam reuniões para conversar sobre o livro/tema).

Segundo o autor, essa história é inspirada na história dos avós de sua esposa.

Li o livro recentemente. Esse é um dos casos em que vi o filme antes de ler o livro. Em uma de minhas férias, junto com um monte de tios e primos, todos na casa de minha avó, chega meu pai da locadora (isso, na época em que a gente ainda tinha esse costume), cheio de filmes, dos mais variados tipos. Entre eles, Diário de uma Paixão. Como já disse por aqui, romance água com açúcar não é mesmo minha área. Fiz careta para o filme (embora gostasse dos atores – Ryan Gosling e Rachel McAdams). Mas, com o sol rachando lá fora, e absolutamente nada para fazer, juntando isso o fato de que a parentada toda estava esparramada entre sofá e chão, também sem ânimo para muita coisa, vi o filme. E devo dar o braço a torcer. Até hoje digo que não gosto de filmes melosos, A NÃO SER Diário de uma Paixão. E tenho uma prima, também presente naquele episódio, que diz exatamente a mesma coisa (acho que esse filme só não derreteu totalmente o coração de minha mãe, essa sim, durona de marca maior).

Para quem até hoje não sabe, o livro e o filme tem finais diferentes.

A crítica que faço sobre o livro gira em torno dos errinhos de português/digitação que encontrei. A revisão deveria ter sido mais cuidadosa.

Acompanhados ou não, livro e filme, são daqueles que fazem você querer que exista esse tipo de amor gigante, que enfrenta um monte de obstáculos e fica firme. E Allie é bastante interessante sim, mas olha, Noah só pode ser imaginado, um personagem mesmo... acho que esse tipo, exatamente assim, não existe (e tendo a cara de Ryan Gosling então, beira o impossível)!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Questões do Coração - Emily Giffin


Primeiramente devo dizer que acho o título do livro meio cafona. E a sinopse não revela muita coisa. Portanto, eu, pessoinha pouco romântica mesmo, JAMAIS teria comprado esse livro a julgar pela sua capa. Como eu sabia o tema, pois um colega havia me dito, e sabia mais ou menos a forma de abordagem da autora, comprei o dito cujo. Mas, novamente, devo dizer: o título jamais agradaria uma pessoa não romântiquinha que passasse por ele.

E a história não é romântica. A autora já escreveu alguns chick lits que, inclusive, viraram livros. E a sinopse pode levar as pessoas a cometer esse terceiro erro de julgamento, mas não. Sejamos claros, o livro trata de traição, de infidelidade.
 
E a parte boa é a seguinte: Quando temos um casal e entra uma terceira pessoa, mulher, a maioria das pessoas pensa o que? Ora, sinceridade aqui. A maioria pensa que a terceira é uma louca, burra, irresponsável, e outros adjetivos bem mais chulos.

Esse é, ao meu ponto de vista, o trunfo do livro. Ele é escrito contanto a história pelo ponto de vista de ambas. As duas mulheres têm direito aos seus próprios capítulos (embora possa ser questionável o fato de existência de isenção, já que a voz da esposa está em primeira pessoa, enquanto a história “da outra” está em terceira).

Vamos ao que interessa: Tessa Russo é uma pessoa bacana, com bons ideais, esforçada, que larga seu noivo de sempre para se casar com um cara que conheceu no metrô: Nick Russo, que é médico, bonitão, inteligente, etc... e um dos melhores médicos que tratam de queimaduras em criança da região. Eles tem dois filhos, tem aquela vida que, à princípio, parece de comercial de margarina: filhos bacanas, carro, casa boa num vizinhança ideal. Tessa decide (sob protestos da mãe) abandonar sua carreira e ser mãe/esposa full time. E se vê num esforço gigante em ser perfeitinha, e entrar nos padrões exigidos pela vizinhança (fazer a comida da família, e que seja orgânica, jogar tênis com as amigas, fazer visitas sociais, decorar a casa no halloween e estar sempre bonita nos eventos).

Valerie é uma advogada formada em Harvard, mãe solteira, batalhadora, bem sucedida na carreira, o filhinho Charlie é uma gracinha, mas ela tem algumas questões pendentes no que diz respeito à superproteção, capacidade de confiar e, depois da desilusão com o pai de Charlie, grandes problemas de relacionamento, que refletem até no seu isolamento com as questões de relacionamento interpessoal com as pessoas de seu dia a dia (e ela é da mesma vizinhança que Tessa).

Eis que um acidente estúpido acontece, e há conseqüências graves: Charlie, ao passar a noite com um coleguinha, acaba gravemente queimado, e aí que os elos se juntam. O médico de Charlie é Nick e esses mundos, tão próximos e tão distantes, vão colidir.

Como disse, o grande trunfo é que não há quem seja certo. Tessa tem grandes virtudes, mas me dá um ódio intenso ver que ela não tem noção que está deixando de ser, por vontade própria, tudo o que o marido admirava, para tentar ser o que as vizinhas (e elas são terríveis, impossíveis de gostar) querem que as pessoas sejam. Ao mesmo tempo, mesmo vendo que está afundando, é incapaz de perceber isso. Mas ela é esforçada, e poxa, o marido nada diz, nem para aprovar, nem para desaprovar.

Valerie já ganha a simpatia da gente pela história de vida, por ter vencido sozinha, apesar de tudo. E a irracionalidade do ocorrido com o filho, e a forma com que as pessoas da vizinhança agem, lidando com o fato, fazem com que a maioria das pessoas, mesmo tendentes a fazer o pré julgamento sobre o qual falamos acima, sejam obrigadas a olhar através dos olhos dela. Obviamente, também somos apresentados aos defeitos dela, à excessiva fragilidade e insegurança que ela abraçou depois do acidente.

E temos Nick, mas embora não tenha lido outros livros da autora, já vi, em comentários de outras pessoas, que seus personagens masculinos não são tão bem definidos, desenhados. Ele é uma incógnita. Temos algumas coisas as quais podemos nos agarrar, para tentar entendê-lo, mas isso geralmente nos é fornecido por impressões de outros personagens.

É um bom livro para refletir, e por na cabeça de alguns que não há, na vida real (embora o livro seja ficção), mocinhos e vilões. Todos acertamos e erramos muito. Todos. E, quem sabe se faríamos igual ou diferente se estivéssemos, nós mesmos, vivendo as situações relatadas?

Minha ressalva está no fim do livro. Obviamente, não vou contar, mas acho que a autora se esforçou tanto em nos deixar em cima do muro (ou pelo menos, incapazes de fazer uma condenação sumária), que o fim foi meio vago. Ela fez tanta força para tentar ser imparcial que o fim ficou um tanto no ar. 

E aí, para você as coisas são assim, certas, preto no branco? Ou há cor ( e muito cinza) entre um extremo e outro?

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Melancia - Marian Keyes

Claire acabou de se tornar mãe de uma menina e, ainda no hospital, o marido confessa que está tendo um caso com a vizinha que também era casada, e que vai sair de casa e pra ficar com a amante. Logo em seguida, sem mais explicações, ele sai correndo e a deixa sozinha.
Redonda como uma melancia, com a filhinha nos braços e sem entender quando e por que o casamento perfeito acabou, ela vai morar com a família desajustada, cheia de irmãs malucas e pais viciados em telenovelas. Passa por crises de bebedeira, depressão e mau humor, mas depois começa a dar a volta por cima, ainda mais quando um carinha aparece em sua vida. Mas então, seu ex-marido aparece e tenta convencê-la de que era a culpada por tudo o que aconteceu.

Lá vamos nós, para mais um dos momentos shame on me: Sim, um dos meus grandes preconceitos estava no gênero chik lit, literatura de mulherzinha, pra quem não conhece. Aí, por muito tempo, não quis comprar ou ler qualquer um desses tipos de livro ora, meu amor está com Saramago, até parece que vou fazer isso com meu cérebro. Metida, eu sei. Mas já corrigi o erro. 

Melancia, admito, não foi fácil. Comprei com a desculpa de para dar de presente para minha mãe, que estava ficando com muito tempo livre, por causa das sessões de quimio que ela está enfrentando. É um tal de viaja, pega taxi, espera, volta pra casa, não faz nada, fica quietinha, que me animou. Mas minha mãe não é muito de ler (a miopia/astigmatismo beeem alta também derrubam a animação dela). Então, sob o pretexto de querer algo levinho e engraçado, resolvi criar coragem e levar o livro (e claro, ler antes).

Vou falar que ri demais, achei o livro muito engraçado, e não tem como não se enxergar na Claire em muitas passagens. Você vai lendo e pensando: É assim mesmo! Poxa! Depois acabei descobrindo, pelos outros livros da autora que já li, que a identificação não ocorre somente nesse, mas com todos os outros personagens dos demais livros. Tem um pedacinho de nós em cada uma, mesmo que não tenhamos nada em comum com elas, a princípio.

As partes em que ela fala do corpo, que se acha gorda, as mulheres vão reconhecer em si mesmas. Se ela fala mal dos homens, critica algo na família, nas roupas ou nos comportamento dos outros, a gente se vê naquela situação. Acho que esse é o trunfo de Keyes, seus livros são atuais, e as dúvidas, raivas e angústias das personagens se encaixam no que uma amiga ou você mesmo pode ter.

Mas nem tudo são risos e, seguindo o fluxo do livro, encontramos uma lição de moral, algo pra pensar quando o livro terminar.

Não preciso mais dizer que não tenho mais problemas com os “livros de mulherzinha”, não é? E devo avisá-los que mamãe leu o livro, e em quatro dias (!!) segundo ela, o que é impressionante, já que a miopia e a quimio fazem com que ela não fique muito tempo disposta a ficar parada lendo. Preciso dizer mais?

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Desculpa se te chamo de amor – Federico Moccia


Clichês, o que seria da vida sem eles?
Para relaxar um pouco, mudando o rumo das outras dicas literárias, vamos girar 180 graus (hum, pegadinha, hein?)e pegar um romance água-com-açúcar, bem sessão da tarde, bem melosinho, bem bonitinho, cuti-cuti, e quaisquer outros nomes que você quiser acrescentar. Às vezes a vida é tão chatinha, difícil, ou até mesmo perigosamente morna, que nada como dar uma escapada e assumir que, de vez em quando, a gente não quer raciocinar muito e acreditar em conto de fada, não é?

Eu vou admitir o preconceito gigante que tive com esse livro, por ser muito menininha, chick lit mesmo, então, por umas três vezes, vi o livro na livraria, olhava, olhava, pensava, mas acabava deixando para lá e levando um outro. Mas, depois de uns dias mais mau-humorados, decidi tentar melhorar, e passar um fim de semana tranquilo, lendo o livro sem raciocinar muito. Devo dizer, também, que uma prima se entusiasmou com o filme, e ficou toda suspirante, me contando tudo, aí me animei. Afinal, preconceito existe para ser derrubado. E caí do cavalo, já que gostei, comprei a continuação, assisti os filmes... shame on me, eu sei. Então, confissão feita, vamos ao que interessa:

Nikki tem 17 anos, é bonita, espevitada, divertida, anda sempre com suas amigas, e elas se auto-intitulam “ONDAS”. Alex tem 37, é um publicitário bem sucedido, casa bacana, carro bacana e... acabou de ser abandonado pela noiva. Depois de um acidente de trânsito os dois se conhecem, e se envolvem. Claro, há a diferença de idade, a diferença cultural, de maturidade (embora Alex às vezes seja imaturo, e Nikki pareça ser a madura da relação), o estranhamento dos amigos e das famílias sobre o relacionamento, e tudo mais.
Paralelamente aos conflitos entre os dois, também há as histórias dos amigos, então, virgindade, ciúme, traição, também acontecem com os personagens secundários. Muitas vezes você vai querer se envolver com eles, mas também, durante a leitura, também vai querer pular as páginas sobre eles, para chegar logo ao que te interessa, voltar ao casal principal.
É bonitinho, porque tem aquilo de fazer com que a gente esqueça das convenções, e dizer que, no fim, o que interessa é o amor, se estão felizes, e tudo o mais. Mas será que todas as diferenças desses mundos que se chocaram podem ser relevadas?
Ah, como disse,o livro tem uma continuação, e falaremos dela daqui a pouco. E, também já disse, ambos tem versão cinematográfica, italiana (a história se passa por lá), também muito meigas, claro, com suas adaptações, mas até bastante fiel ao livro. Os atores principais são lindos, e você vai querer passar um tempo em Roma... ah vai!